quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Oblação

Ao céu fui com a fumaça da minha oblação
Revelou-se em mim outra face
Meu corpo era leve e flutuante
Ele se desintegrava como uma nevoa
Na benevolência daquele momento
Percebi a essência das coisas
O vento soprava em meus ouvidos
Profundos ensinamentos
Ouvi uma grande gargalhada
Alguém se divertia com minha tosse
Mas com aquela fumaça me desfazia
Passando a fazer parte de tudo
E não me importando com nada.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ataque cardíaco

Estou caminhando para uma montanha de gelo.
Procuro o estranho, desejo o duvidoso.
A solidão é minha fiel companheira.
O vento é frio e calmo
Sei que pode congelar meu sangue;
Há fervura que corre em minhas veias
E isso me causa um choque térmico em minha carne.
Essa é a escolha que não escolhi
É o centro de minha suposta existência
A casa das interrogações
O esvaziamento das respostas
Um lugar proibido e sem sentido
Meu abrigo.

Até quando posso agüentar?...
Está em eminência um ataque cardíaco.
Ela partiu
Já não está entre nós
Que estranha sensação
Às vezes penso que estamos a sós

Em uma sala arejada
Na varanda ou no meu quarto
Relembrando um tempo que se foi
E eu não disse adeus
Uma folha desprende de sua gendrora por acaso
Em um vôo suave e melodioso chega ao chão.
Sem a seiva que a nutria e com o tempo que passa
Amarela e seca
Ela se reúne a várias outras
Ao ponto de não ver mais a terra
Junta-se todas em um monte
E num instante o fogo as consome
Sem nenhuma razão.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Choro de uma lágrima só

Nó na garganta
A lágrima canta:
Vitória da agonia,
Tiunfo da ânsia!

A lágrima rasga-me o rosto.
Sinto nela o gosto do desgosto.
Estou lançado a sorte.
Sem sentido vejo a vida
Mas não desejo a morte.

Meu espírito está triste
E minha alma inquieta.
Não enconto motivação
pois minha vida é incerta.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cavalos-Marinho

Mergulho em um mar
cheio de cavalos-marinhos
eles galopam ao meu encontro,
me olham,
brincam de roda envolta de minha cabeça.

Algumas borboletinhas,
com suas roupinhas quase escandalosas,
enfeitam a roda que roda.
Fico tonto e estapeio o ar.
Tudo some subindo com as bolhas d’águas...
Mas logo mergulho de novo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quem és?

Sozinho no banheiro,
espelho.
Vejo estranheza.

De repente choro.
A lágrima desce
trinca minha máscara.
Um rosto des-figurado!
Mais feio, mais bonito,
mais sincero, verdadeiro?

Sou eu!
E eu quem és?
Este ou aquele?
Quem quero ser?

O que encara...?
O que se esconde?

Acordo assustado!
Através da janela... olho...
está chovendolá fora,

vejo...